Assim como outros representantes da classe Tyrannosauridae, o T-rex foi um carnívoro bípede com um crânio cilíndrico e uma grossa e musculosa cauda. Suas pernas eram longas e musculosas, mas seus braços eram extremamente curtos e finos, além desses animais também possuírem três dedos ao fim de cada perna e dois dedos nos braços. Em média, um T-rex em idade adulta atingia cerca de cinco metros de altura e mais de doze metros de comprimento do crânio ao fim da cauda, e com um peso que podia variar entre seis e dez toneladas, fazendo do T-rex um dos maiores predadores que já viveram na Terra. Estima-se também que suas musculosas pernas permitiam que o animal atingisse uma velocidade superior a quarenta quilômetros por hora em uma corrida livre. Hoje, há mais de trinta esqueletos de tiranossauros totalmente remontados, e é exatamente essa abundância de material fóssil disponível que permitiu que esses animais fossem profundamente estudados para se descobrir os principais aspectos de sua biomecânica, apesar de que sua fisiologia e seus hábitos diários ainda são frutos de debate até hoje.
Acredita-se que os tiranossauros viviam em grupos familiares, tais como os elefantes. O achado de um crânio de tiranossauro danificado comprova que deveriam ocorrer violentas batalhas por alimento e pelo direito de se acasalar entre os indivíduos dessa mesma espécie. Apesar de não ter sido o maior carnívoro bípede, pois era superado em tamanho por algumas outras espécies como o Espinossauro e o Giganotossauro, o T-rex foi o primeiro a ter um fóssil totalmente remontado, umas das razôes que o levou a se tornar o mais famoso dos dinossauros, e sua reputação de grande predador o levou a ser representado como principal vilão em todas as mídias em que aparece, tornando-se símbolo de sua raça e uma referência no campo da caça pela alimentação.
Descrição
Comparação de diferentes espécimes de tiranossaurídeos com um ser humano (o T-rex jovem em vermelho).
O único representante confirmado dessa classe era o Tiranossauro Rex (conhecido também apenas por T-rex, apelido que também é usado pela comunidade científica), sendo também um dos maiores carnívoros de todos os tempos, com seu maior fóssil totalmente remontado, o "FMNH PR2081", apelidado de "Sue", medindo doze metros de comprimento e cinco metros de altura, medidas que se tornaram parâmetro de comparação para outros espécimes.3 Por muito tempo, o T-rex foi considerado o maior dos dinossauros carnívoros, mas apesar de ter superado espécies como Alossauro, que já foi considerado o maior, acabou-se posteriormente descobrindo que existiram carnívoros ainda maiores que ele, como o Espinossauro e o Carcharodontossauro, por exemplo.4
O pescoço de um T-rex tinha o formado de uma letra "S", que era curto e muito musculoso para suportar sua pesada cabeça;2 as pernas do animal eram longas e musculosas e terminavam em uma pata com três dedos de garras grossas e pontiagudas, mas os braços eram extremamente curtos e finos, terminando em patas com dois dedos, de garras também pontiagudas, mas muito pequenas.2 A cauda era longa, grossa e também musculosa, formada por mais de quarenta vértebras para balancear o peso do tronco, e mesmo com todo seu tamanho, muito dos ossos do animal eram ocos, tornando-o assim mais leve e lhe permitindo uma rápida mobilidade.2 O maior crânio de T-rex já encontrado tinha um metro e cinquenta centímetros de circunferência, pertencente à Sue,5 e, no geral, o crânio desses animais possuía várias aberturas, diminuindo o peso e facilitando a respiração circular, além de ser amplo na parte traseira e de possuir um focinho curto, porém com narinas grandes, o que lhe dava uma ótima visão binocular.6 A extremidade da maxila superior tinha forma da letra "U", diferente dos demais terópodas, que possuíam a maxila superior em forma de um "V", mas essa particularidade permitia que o T-rex tivesse uma mordida de impacto bem maior.7
A arcada dentária dos tiranossauros era heterodonte, ou seja, possuía dentes de vários formatos e tamanhos diferentes, mas em média, os dentes de um T-rex podiam medir até trinta centímetros, o que seria quase o tamanho de uma banana, e eram constantemente substituídos durante seu período de vida.8 Os dentes superiores, presos ao maxilar, eram circulares, em forma da letra "D", reforçados diretamente pelo osso do crânio, sendo extremamente pontiagudos e curvados para trás.8 Os dentes inferiores tinham esse mesmo aspecto e formato, mas eram mais distanciados entre si, permitindo que os dentes inferiores e superiores se encaixassem, ocasionando uma mordida mais forte, única entre os dinossauros carnívoros.9
História científica
Descobrimento e nomenclatura
Com o passar dos anos, as evidências mostraram que essas duas novas espécies encontradas eram iguais segundo a teoria de Henry Fairfield Osborn, que em 1915 remontou o primeiro fóssil do animal que ele chamou de Tiranossauro, o exibindo em público em 1917, mas devido as más condições do fóssil Manospondylus, não houve como provar totalmente que eles pertenciam a mesma raça.11 Osborn também criou o termo "tiranossauro rex" para denominar um novo fóssil que ele mesmo tinha descoberto em suas escavações, e ao exibir publicamente as semelhanças entre seu fóssil e os outros dois antes descobertos, provou sua teoria de que os três pertenciam a mesma espécie, e nome tiranossauro foi definitivamente adotado, com o nome tiranossauro rex (ou simplesmente T-rex) sendo escolhido para identificar o único representante confirmado dessa espécie, seguindo a proposta de Osborn.11
O tópico sobre a nomenclatura dessa raça voltou a ser debatido décadas mais tarde, quando, em 2001, o Instituto Black Hills desencavou vários ossos diferentes no território do estado americano de Dakota do Sul, e os pesquisadores originalmente pensaram que se tratavam de duas espécimes diferentes, e publicaram que uma delas tinha as características do Manospondylus de Edward Cope, e que isso poderia ser a prova de que essa era, de fato, uma nova raça independente dos tiranossauros.12 No entanto, estudos posteriores provaram que todos os ossos pertenciam a um só animal, mas mesmo assim o debate sobre a nomenclatura oficial prosseguiu, pois os funcionários do Black Hills insistiam que segundo as regras do Código Internacional de Nomenclatura Zoológica (ICZN), o termo Manospondylus deveria ter preferência por ter sido criado antes, mas após a quarta conferência da ICZN, realizada em 1 de janeiro de 2001, ficou decidido que não deveria haver alteração alguma na nomenclatura, pois o termo Manospondylus não havia sido usado em nenhum tipo de trabalho ou pesquisa posterior a 1899, por isso o termo tiranossauro continuou sendo a designação da espécie, sendo também recusadas as propostas dos nomes Stygivenator e Dinotyrannus como nomes não oficiais.13
Estudos e descobertas entre 1940 e 1990
Entre 1920 e 1940, dezenas de esqueletos de tiranossauros foram descobertos e remontados, e em 1942, no estado americano de Montana, foram descobertos restos de um animal chamado de Nanotyrannus, envolvido em um longo debate sobre sua espécie, pois enquanto alguns pesquisadores afirmam que ele se trata de um nova espécie de tiranossauro, a maior parte da comunidade científica afirma que os poucos fósseis desses serem se tratavam apenas de um T-rex de pouca idade, assim, não seria outra nova espécie.2Após essa fase fértil de descobertas, fósseis de tiranossauros tornaram-se raros, mas após o surgimento de técnicas de escavações mais eficientes, vários outros esqueletos foram encontrados e remontados. O primeiro T-rex reconstruído após 1980 foi apelidado de "Stan" em homenagem ao paleontólogo Stan Sacrison e foi encontrado perto da cidade americana de Buffalo, no estado de Dakota do Sul, após mais de trinta mil horas de escavação em 1987.14 Stan (cujo código científico é BHI 3033) está atualmente em exibição no Museu Black Hills de História Natural, onde foi colocado após uma grande turnê mundial, sendo que apenas cerca de sessenta e cinco por cento do corpo foi achado.14
Em 12 de agosto de 1990, Sue Hendrickson descobriu um novo fóssil na cidade de Faith, também na Dakota do Sul, e este foi apelidado de "Sue" (código FMNH PR2081) em homenagem a sua descobridora, sendo hoje o maior fóssil de T-rex encontrado e remontado, com mais de noventa por cento do corpo recuperado.15 Sue acabou sendo alvo de uma batalha judicial sobre quem era o dono dos restos, e os tribunais decidiram em favor de Maurice Williams, dono da Formação de Hell Creek, território onde os ossos foram encontrados, e Williams, posteriormente, vendeu o fóssil por sete milhões e seiscentos mil dólares para o Museu Field de História Natural, onde ele está em exibição atualmente.15 Os estudos feitos nos ossos indicaram que Sue atingiu seu maior tamanho aos dezenove anos de idade e morreu nove anos depois.15
A primeira teoria foi a de que Sue teria morrido vítima de um mordida na parte superior da cabeça, provavelmente ocorrida durante uma batalha com outro T-rex, mas essa hipótese nunca pôde ser confirmada.16 Mais tarde surgiu a hipótese de que Sue morreu vítima de uma infecção parasitária contraída após a ingestão de carne podre, assim sua garganta inflamou e o animal não pôde mais se alimentar;16 essa hipótese é sustentada pelos traços de vermes fossilizados encontrados nos ossos do pescoço, os mesmos traços encontrados em animais que morrem vítimas da mesma infecção hoje em dia.16 Além de Sue, outros dois pequenos fósseis de T-rex foram encontrados no mesmo local, mas o estado dos ossos era péssimo e eles não puderam ser remontados.15
Descobertas nos anos 2000
No verão de 2000, o pesquisador Jack Horner encontrou cinco fósseis de tiranossauros na Reserva Fort Peck, no estado americano de Montana, e acreditou-se que o maior deles, apelidado de "C-rex", poderia ser maior do que o fóssil Sue, mas descobriu-se que o C-rex era, na verdade, dez por cento menor que Sue.14 Em 2001, cinquenta por cento dos ossos do fóssil de um T-rex foram encontrados em Montana por um grupo de pesquisadores do Museu Burpee de História Natural da cidade americana de Rockford, e a princípio acreditou-se que poderia ser um possível Nanotyrannus, mas descobriu-se posteriormente que esse exemplar também era apenas outro jovem T-rex. Esse espécime, apelidado de "Jane", está atualmente em exibição no Museu Burpee de Rockford.14Em março de 2005, através da revista Science, a pesquisadora Mary Higby Schweitzer e seus assistentes, da Universidade Estadual da Carolina do Norte, anunciaram que haviam recuperado uma espécie de tecido mole extraído do tutano da pata de um fóssil de T-rex que havia vivido a cerca de sessenta e sete milhões de anos,17 e o espécime recebeu o código MOR 1125; além do tecido, também conseguiu-se extrair material pertencentes aos vasos sanguíneos. Os pesquisadores foram cuidadosos afirmando que não conheciam o processo de fossilização pela qual o material fora conservado, e também divulgaram que não havia modo de ter certeza de que ele pertencia de fato àquele T-rex, já que o material era semelhante ao DNA de avestruzes atuais.17 A falta de células em boas condições tornaram impossível o preciso reconhecimento da espécie a qual pertencia aquele material, mas hoje é consenso entre a comunidade científica que a amostra não poderia pertencer ao T-rex devido a diferença nas marcas de decomposição do material e dos ossos, indicando que suas idades seriam totalmente diferentes, e mesmo que a amostra pertencesse de fato a um T-rex ela não teria nenhuma utilidade devido a seu péssimo estado de conservação.18
Em 7 de abril de 2006, pesquisadores da Universidade Estadual de Montana divulgaram que haviam remontado um crânio de T-rex encontrado em 1960 que tinha cerca de um metro e cinquenta centímetros de circunferência (alguns centímetros maior que o crânio de Sue), e que esse crânio também continha uma pequena quantidade de material celular fossilizado semelhante àquele documentado por Mary Higby Schweitzer, mas que o mal estado de conservação tornava impossível a especificação do animal dono do tutano em questão.5 Hoje em dia, há mais de trinta espécimes de tiranossauros documentados, quase todos sendo fósseis remontados em ótimas condições de conservamento.5
Classificação
Os tiranossauros são classificados como membros da superfamília Tyrannosauroidea e da família Tyrannosauridae, considerados parentes de outras espécies como os Daspletossauros, da América do Norte.19 Por muito tempo, os tiranossauros foram vistos como descendentes de grandes terópodas como o Megalossauro, mas hoje em dia são tradicionalmente aceitos como parte do clado dos coelurosaurias.20Em 1955, o paleontólogo Evgeny Maleev encontrou um fóssil na Mongólia que ele considerou um nova espécie de tiranossauro, diferente do T-rex, e batizou essa nova espécie de Tyrannosaurus bataar (T-bataar).21 Há um grande debate sobre a possibilidade do T-bataar ser, ou não, uma nova espécie de tiranossauro que divide opiniões entre a comunidade científica.21 O pesquisador Tom Holtz divulgou diversos trabalhos apontando diferenças entre fósseis do T-rex e do T-bataar que seriam provas de que realmente se tratam de espécies diferentes, principalmente devido ao crânio do T-bataar, que se revelou mais estreito e com um disposição de dentes distinta, mais semelhante ao Alioramus, outro terópoda asiático.20 O debate continua sem consenso até hoje, embora a teoria de que T-bataar e o T-rex sejam espécies diferentes tenha ganhado mais adeptos nos últimos anos.21
Outros fósseis de terópodas encontrados no mesmo território onde um ou mais T-rex foram encontrados continuam sendo propostos como novas espécies de tiranossauros, como o Aublysodon e o Albertosaurus megagracilis, mas, assim como os Nanotyrannus, esses fósseis são tradicionalmente aceitos como exemplares jovens de T-rex.8 O debate sobre a classificação do Nanotyrannus como sendo um T-rex também continua, pois alguns pesquisadores apontam pequenas diferentes entre os dois, defendendo que o Nanotyrannus deva ser classificado como uma espécie separada, mas a comunidade científica atual considera que as evidências hoje disponíveis são insuficientes para um total consenso.8
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